quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ótimo texto sobre o esgotamento do modelo da esquerda latino-americada e os perigos da direita fascita.

As tempestades que rondam a América Latina

151209-Tempestade

Vai terminando a primeira grande onda de governos populares. Retrocessos começaram, mas haverá resistência. Que aprender com os erros? Como preparar uma retomada?
Por Raúl Zibechi | Tradução: Gabriel Filippo Simões

O fim do ciclo progressista implica na dissolução de hegemonias e no início de um período de dominação, de maior repressão aos setores populares organizados. Até agora, temos comentado as causas do fim desse ciclo; agora é preciso começar a compreender as consequências – tremendas, pouco atraentes, demolidoras em muitos casos.
A recente eleição de Mauricio Macri na Argentina é uma guinada à direita que reacende a chama do conflito social. A resposta dos editores do conservador jornal La Nación, na forma de um editorial que defende abertamente o terrorismo de Estado é uma amostra do que está por vir, mas também das resistências que o projeto da direita tradicional terá de enfrentar.




Não estamos diante de um retorno aos anos 1990, marcados pelo neoliberalismo e privatizações, pois os de baixo estão numa situação diferente: mais organizados, com maior autoestima e mais entendimento do modelo que os oprime. Acima de tudo, com maior capacidade de confrontar os poderosos. Experiências coletivas não acontecem em vão – deixam marcas profundas, sabedoria e modos de fazer que neste novo estágio irão desempenhar um papel decisivo, na necessária resistência às novas direitas.
O período que se inicia em toda a América do Sul, quando o presidente Rafael Correa já anunciou que não pretende se reeleger [presidente do Equador], será de forte instabilidade econômica, social e política; de crescente interferência militar do Pentágono; de novas dificuldades para a integração regional, que já passa por sérios problemas; de deterioração nas condições de vida dos setores populares, cujos rendimentos começaram a se corroer nos últimos dois anos.
Nesta nova conjuntura, penso que algumas questões são centrais:
A primeira é que não haverá forças políticas capazes de gerar um mínimo de consenso em torno dos governos, tal como os governos progressistas conseguiram obter em sua primeira fase. Não haverá consenso em governos como o de Macri; mas convém lembrar que a hegemonia de Lula foi quebrada durante o segundo mandato de Dilma Rousseff. O mesmo ocorreu nos governos de Tabaré Vázquez, Rafael Correa e Nicolas Maduro, embora com causas diferentes.
Quando a hegemonia se esvai, a lógica de dominação se impõe, o que nos leva diretamente à exacerbação dos conflitos de classe, gênero, geração e étnico-raciais. A tríade dominação-conflitos-repressão vai afetar (já está afetando) as mulheres e os jovens dos setores populares, as principais vítimas da guinada sistêmica à direita.
A segunda questão a ser considerada é que o modelo político-econômico é mais importante e decisivo do que as pessoas que o conduzem e administram. Nas esquerdas, ainda temos uma cultura política muito centrada nos caudilhos e líderes – que sem dúvida são importantes, mas que não são capazes de ir além dos limites estruturais que o modelo impõe sobre eles. O extrativismo é o grande responsável pela crise que assola a região, pelo desgaste que os governos sofrem e, grosso modo, é o fator principal que explica a guinada à direita das sociedades.
Ao contrário do modelo industrial de substituição de importações, que gerou inclusão e promoveu o desenvolvimento social, o atual modelo extrativista gera polarização social e econômica e conflitos nas comunidades, além de destruir o meio ambiente. Portanto, é um modelo que produz violência, criminalização da pobreza e militarização das sociedades e dos territórios de resistência.

A incapacidade dos governos progressistas de abandonar o modelo extrativista e a vontade expressa das neodireitas de aprofundá-lo anuncia tempos dolorosos para os povos. A recente tragédia em Mariana (Minas Gerais) causada pela ruptura de duas barragens da mineradora Vale, provocando um gigantesco tsunami de lama que cobriu campos cultivados e vilarejos inteiros, é uma pequena amostra do que nos espera caso um limite não seja colocado ao modelo mineração-soja-especulação.
Em terceiro lugar, o fim do ciclo progressista supõe o retorno de movimentos antissistêmicos ao centro do cenário político, do qual eles haviam sido deslocados pela centralidade da disputa entre governos e oposição conservadora. Mas os movimentos que estão sendo ativados não são os mesmos, nem possuem os mesmos modos de organização e prática, dos que encabeçaram as disputas dos anos 1990.
Na Argentina, o movimento dos piqueteros não existe mais, embora tenha deixado profundos vestígios e lições, além de um setor organizado que trabalha nas villas das grandes cidades, com novos tipos de iniciativas tais como as casas populares de mulheres e secundaristas. Os movimentos camponeses, como o dos Sem Terra, transformaram-se devido à expansão geométrica da soja. Mas novos atores, mais complexos e diversos, emergem; deles participam, entre outros, os afetados pela mineração ou agrotóxicos, bem como ampla gama de profissionais de saúde, educação e mídia.
A impressão é de que estamos assistindo a novas articulações, acima de tudo nas grandes cidades, onde os protestos contra a desigualdade e por mais democracia extravasam as trincheiras de partidos e sindicatos e também dos movimentos da década neoliberal das privatizações.
Por fim, o ciclo progressista deve se fechar com uma análise clara dos erros cometidos pelos movimentos. Seria desmoralizante para os mesmos que no próximo ciclo de lutas se repetissem os mesmos erros que afetaram sua autonomia nos últimos anos. É provável que a maior dificuldade para o enfrentamento consista em saber como acomodar a dupla atividade dos movimentos: as lutas contra o modelo (a defesa de espaços próprios, mobilização e formação) e a criação do novo em cada espaço e tema possível (saúde, produção, habitação, terra e educação).
Enquanto ações nas ruas nos permitem impedir ataques vindos de cima, a criação do novo é caminhar na direção da autonomia. Estas são maneiras que aprendemos de continuar navegando em meio às tempestades.

daqui: http://outraspalavras.net/mundo/america-latina/as-tempestades-que-rondam-a-america-latina/

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Marias e Clarices continuam chorando...

Sempre Elis...


De onde vem tantos refugiados?

Bom texto do Patrick Cockburn sobre as guerras civis da atualidade:

Nove guerras civis simultâneas devastam mundo islâmico. Há algo comum entre elas: a destruição dos Estados nacionais árabes e o estímulo ao ultra-fundamentalismo, promovidos por EUA e seus aliados
Por Patrick Cockburn | Tradução: Inês Castilho
OUTRASPALVRAS.NET
São tempos de violência no Oriente Médio e Norte da África, com nove guerras civis acontecendo em países islâmicos, situados entre o Paquistão e a Nigéria. É por isso que há tantos refugiados tentando escapar para salvar suas vidas. Metade da população de 23 milhões da Siria foi expulsa de suas casas; quatro milhões transformaram-se em refugiados em outros países.
Cerca de 2,6 milhões de iraquianos foram deslocados pelas ofensivas do Estado Islâmico, o Isis, no último ano, e se espremem em tendas ou edifícios inacabados. Invisíveis para o mundo, cerca de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas no sul do Sudão, desde que os combates recomeçaram por lá, no final de 2013.
Outras partes do mundo, notadamente o sudeste da Ásia, tornaram-se mais pacíficas nos últimos 50 anos, mas na grande faixa de terra entre as montanhas Hindu Kush e o lado ocidental do Saara, conflitos religiosos, étnicos e separatistas estão destroçando os países. Em toda parte há Estados em colapso, enfraquecidos ou sob ataque; e em muitos desses lugares, as insurgências islâmicas radicais sunitas, em ascensão, usam o terror contra civis para provocar fuga em massa.
Outra característica dessas guerras é que nenhuma delas parece estar próxima do fim, de modo que as pessoas possam voltar para suas casas. A maioria dos refugiados sírios que fugiram para a Turquia, Líbano e Jordânia em 2011 e 2012 acreditava que a guerra acabaria em pouco tempo e elas poderiam voltar. Só perceberam nos últimos dois anos que isso não vai acontecer e que precisam buscar refúgio permanente em outro lugar. A própria duração destas guerras significa uma destruição imensa e irreversível de todos os meios de se ganhar a vida, de modo que os refugiados, que a princípio buscavam apenas segurança, são também movidos por necessidade.
mapbbc
Guerras estão sendo travadas atualmente no Afeganistão, Iraque, Síria, Sudeste da Turquia, Iêmen, Líbia, Somália, Sudão e Nordeste da Nigéria. Algumas começaram há muito tempo, a exemplo da Somália, onde o Estado entrou em colapso em 1991 e nunca foi reconstruído, com senhores da guerra, jihadistas radicais, partidos rivais e soldados estrangeiros controlando diferentes partes do país. Mas a maioria desses conflitos começou após 2001, e muitos depois de 2011. A guerra civil total no Iêmen só começou no ano passado, enquanto a guerra civil turco-curda, que matou 40 mil pessoas desde 1984, recomeçou em julho com ataques aéreos e de guerrilha. É rápida a escalada: um caminhão carregado de soldados turcos foi explodido há poucas semanas por guerrilheiros do PKK curdo.
Quando a Somália caiu, num processo que os EUA tentaram reverter em uma tentativa fracassada de inteverção militar, entre 1992-1994, parecia ser um evento marginal, insignificante para o resto do mundo. O país tornou-se um “Estado fracassado”, frase usada para exprimir pena ou desprezo, à medida em que ele se tornava o paraíso dos piratas, sequestradores e terroristas da Al-Qaeda. Mas o resto do mundo deveria olhar para esses Estados fracassados com medo, além de desprezo, porque foi nesses lugares – Afeganistão nos anos de 1990 e Iraque desde 2003 – que foram incubados movimentos como o Talibã, o Al-Qaeda e o Isis. Os três combinam crença religiosa fanática e conhecimento militar. A Somália pareceu um dia ser um caso excepcional, mas a “somalização” mostrou-se destino de uma série de países — notadamente Líbia, Iraque e Síria — onde até recentemente as pessoas tinham acesso a comida, educação e saúde.
Todas as guerras são perigosas, e as guerras civis sempre se notabilizaram pela impiedade, sendo as religiosas, as piores. É o que está acontecendo agora no Oriente Médio e Norte da África, com o Isis – e clones da Al-Qaeda como Jabhat al-Nusra ou Ahrar al-Sham na Síria. Assassinam ritualmente seus opositores e justificam suas ações alegando o bombardeio indiscriminado de áreas civis pelo governo de Assad.
O que é um pouco diferente nessas guerras é que o Isis faz publicidade deliberada das atrocidades que comete contra xiitas, yazidis ou qualquer outra pessoa que considere seu inimigo. Isso significa que as pessoas apanhadas nesses conflitos, particularmente desde a declaração do Estado Islâmico, em junho do ano passado, sofrem uma carga extra de medo, o que torna mais provável que fujam para não voltar. Isso é verdade tanto para professores da Universidade de Mosul, no Iraque, quanto para moradores dos vilarejos da Nigéria, Camarões ou Mali. Não por acaso, os avanços do Isis no Iraque têm produzido grandes ondas de refugiados , os quais têm uma perfeita ideia do que acontecerá a eles se não fugirem.
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No Iraque e na Siria, estamos de volta a um período de drástica mudança demográfica, jamais vista na região desde que os palestinos foram expulsos ou forçados a fugir pelos israelenses em 1948, ou quando os cristãos foram exterminados ou empurrados para fora do que hoje é a Turquia, na década que se seguiu a 1914. As sociedades multiconfessionais do Iraque e da Síria estão se esfacelando, com consequências terríveis. Potências estrangeiras não sabiam ou não se importavam com os demônios sectários que estavam liberando, nesses países, ao quebrar o velho status quo.
O ex-conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Mowaffaq al-Rubaie, costuma dizer aos líderes políticos norte-americanos, que levianamente sugeriram que os problemas coletivos do Iraque poderiam ser resolvidos dividindo o país entre sunitas, xiitas e curdos, que eles deviam compreender como seria sangrento esse processo, provocando inevitavelmente massacres e fuga em massa “semelhantes aos da partilha da Índia em 1947 “.
Por que razão tantos desses Estados estão caindo aos pedaços e gerando essas ondas de refugiados? Que falhas internas ou insustentáveis pressões externas têm em comum? A maioria conquistou autodeterminação quando as potências imperiais se retiraram, depois da Segunda Guerra Mundial. No final dos anos 1960 e início dos 1970, foram governados por líderes militares que dirigiam Estados policiais e justificavam seus monopólios de poder e riqueza alegando que eram necessários para estabelecer a ordem pública, modernizar seus países, assumir o controle dos recursos naturais e resistir às pressões separatistas sectárias e étnicas.
Eram geralmente regimes nacionalistas e com frequência socialistas, cuja perspectiva era esmagadoramente secular. Por essas justificativas para o autoritarismo serem geralmente hipócritas e auto-interessadas; por  mascararem a corrupção generalizada da elite dominante, frequentmente se esquecia que países como o Iraque, a Síria e a Líbia tinham governos centrais muito poderosos por alguma razão  e se desintegrariam sem eles.
São esses regimes que vêm enfraquecendo e estão entrando em colapso em todo o Oriente Médio e Norte da África. Nacionalismo e socialismo não oferecem mais o cimento ideológico para manter juntos Estados seculares ou para motivar as pessoas para lutar por eles até a última bala — ao contrário do que fazem os que creem, em relação ao islamismo sunita de tipo fanático e violento incorporado pelo Isis, Jahat AL-Nusra e Ahrar AL-Sham. As autoridades iraquianas admitem que uma das razões por que o exército de seu país desintegrou-se em 20014 e nunca foi reconstituído com êxito é que “muito poucos iraquianos estão dispostos a morrer pelo Iraque.”
Grupos sectários como o Isis cometem deliberadamente atrocidades contra os xiitas, sabendo que isso irá provocar retaliação contra os sunitas — o que os deixará sem alternativa senão ver no Isis seus defensores. Fomentar o ódio comunal trabalha a favor do Isis, e está contaminando as comunidades, umas contra as outras, como no Iêmen, onde anteriormente havia pouca consciência da divisão sectária, embora um terço de sua população de 25 milhões pertencessem à seita xiita Zaydi.
A probabilidade de fugas em massa torna-se ainda maior. No início deste ano, quando houve rumores de um ataque do exército iraquiano e de milícias xiitas, para recapturar a cidade de Mosul, esmagadoramente sunita, a Organização Mundial de Saúde e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) começaram a estocar comida para alimentar um milhão de pessoas a mais, que calcularam em fuga.
Os europeus foram sacudidos pelas fotos do pequeno corpo inerte de Alyan Kurdi numa praia na Turquia e por sírios quase mortos de fome amontoados em comboios húngaros. Mas no Oriente Médio, a nova diáspora miserável dos impotentes e despossuídos é evidente há três ou quatro anos. Em maio, eu estava prestes a cruzar o rio Tigre entre a Síria e o Iraque, num barco com uma mulher curda e sua família, quando ela e seus filhos foram colocados pra fora por causa de uma letra errada em um nome, em seus documentos.
“Mas estou há três dias com minha família na beira do rio!”, ela gritou desesperada. Eu estava indo para Erbil, a capital curda, que até um ano atrás aspirava ser “a nova Dubai”, mas agora está cheia de refugiados amontoados em hotéis inacabados, shoppings e quarteirões de luxo.
O que precisa ser feito para deter tais horrores? Talvez a primeira pergunta seja como evitar que fiquem piores, recordando que cinco das nove guerras começaram a partir de 2011. A presente crise dos refugiados na Europa é muito mais o impacto real, sentido pela primeira vez, do conflito na Siria sobre o continente. É verdade: o vácuo de segurança da Líbia significou que o país é agora o canal de fuga, para as pessoas dos países empobrecidos e atingidos pela guerra às margens do Saara. É pela costa libia, de 1,8 mil quilêmetros, que 114 mil refugiados passaram até agora, este ano, em direção à Italia, sem contar os vários milhares que se afogaram pelo caminho. Ainda assim, embora tão ruim, a situação não é muito diferente da do ano passado, quando 112 mil fizeram essa rota para a Itália.
Bem diferente é a guerra na Síria e no Iraque, onde saltou de 45 mil para 239 mil, no mesmo período, o número de pessoas que tentam alcançar a Grécia pelo mar. Por três décadas o Afeganistão produziu o maior número de refugiados, de acordo com a Acnur. Mas no ano passado, a Siria tomou seu lugar, e um em cada quatro novos refugiados, um agora é sírio. Uma sociedade inteira foi destruída, e o mundo fez muito pouco para deter esses acontecimentos. Apesar de uma recente onda de atividade diplomática, nenhum dos muitos atores na crise síria mostra urgência na tentativa de acabar com eles.
A Síria e o Iraque estão no centro das crises atuais de refugiados também de uma outra maneira. É lá que o Isis e grupos tipo al-Qaeda controlam parte significava do território e conseguem espalhar seu veneno sectário para o resto do mundo islâmico. Eles revigoram as gangues de matadores que operam mais ou menos do mesmo modo — estejam na Nigéria, no Paquistão, no Iêmen ou na Síria.
A fuga em massa de pessoas vai continuar enquanto a guerra na Síria e no Iraque continuarem.

sábado, 10 de outubro de 2015

Citando...


Tempo de guerra, mais boatos que fatos...

Provérbio do vêneto rio-grandense

Clássico da Tropicália...

PANIS ET CIRCENSES - OS MUTANTES


Não é saudosismo dizer que sentimos falta de música de boa qualidade atualmente...

Olhem o que os Novos Baianos faziam entre 1969-1979...
Fantástico...
Citação a Tonico e Tinoco no final! Demais!


Memória digital...

Dependência de ‘memória digital’ está prejudicando memória humana, diz estudo


O uso indiscriminado de tecnologias digitais está enfraquecendo a memória dos seres humanos, revelou uma nova pesquisa.
O estudo, conduzido por uma empresa de cibersegurança sediada no Reino Unido, constatou que as pessoas vêm recorrendo a computadores e dispositivos móveis para guardar novas informações em vez de usar seus próprios cérebros.
Segundo a pesquisa, muitos adultos que ainda se lembravam de números de telefone durante a infância não conseguiam memorizar os números de telefone do trabalho ou de parentes próximos.
Maria Wimber, da Universidade de Birmingham, na região central da Inglaterra, disse que o hábito de usar as máquinas para buscar informação "impede a construção de memórias de longo prazo".
O estudo, que analisou os hábitos de memória de 6 mil adultos no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, constatou que mais de um terço dos entrevistados afirmou que recorreria primeiro a computadores e dispositivos móveis para buscar informações do que à própria memória.

Memória externa

A pesquisa revelou que a dependência dos computadores gera um impacto de longo prazo no desenvolvimento das memórias.
"Nosso cérebro parece guardar informações cada vez que tentamos nos lembrar delas, e ao mesmo tempo esquecer aquelas que não são tão importantes", explica Wimber.
Wimber explica que o processo de memorização de dados é "uma forma muito eficiente para criar uma memória permanente".
"Por outro lado, buscar informações continuamente na internet não cria uma memória sólida e duradoura."
Entre os adultos que participaram da pesquisa no Reino Unido, 45% conseguiam lembrar-se do número de casa quando tinha 10 anos, enquanto 29% conseguiam lembrar-se dos números de telefone de seus filhos e 43% conseguiam lembrar-se do número de telefone do trabalho.
A capacidade de lembrar-se do número de telefone do parceiro foi mais baixo no Reino Unido do que em qualquer outro lugar da Europa. Enquanto apenas a metade dos entrevistados (51%) britânicos sabia de cor o número de telefone do parceiro, a proporção na Itália era de 80%.
O estudo, realizado pela Kaspersky Lab, empresa de cibersegurança sediada no Reino Unido, constata que as pessoas se acostumaram a usar computadores como uma "extensão" de seus próprios cérebros.
Trata-se da chamada "amnésia digital", pela qual as pessoas se esquecem de informações importantes pois acreditam que podem buscá-las imediatamente na internet, informa a pesquisa.
A pesquisa destaca também que há uma tendência cada vez maior de guardar memórias pessoais em formato digital. Fotografias de momentos importantes, por exemplo, deixaram de ser impressas para serem armazenadas somente no universo virtual, com o risco de serem roubadas ou perdidas.
"Existe também o risco de que o registro constante de informação em dispositivos digitais nos torna menos propensos a guardar informações de longo prazo, e até nos distrair de memorizar corretamente um acontecimento da forma como ele ocorre", afirmou Wimber.

Daqui: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151007_dependencia_memoria_digital_lgb

Circuito Dos Afetos - Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo


Safatle, Vladimir

Cosac Naify


Sobre o produto
Qual o sentido da política no mundo contemporâneo? Este livro procura oferecer novos paradigmas políticos num momento em que tanto as utopias de esquerda quanto o próprio capitalismo encontram-se em descrédito. Para isso, o autor reconstitui um fio que parte de Aristóteles e sua teoria dos afetos...



Vontade de comprar..
.

Por que Washington precisa perseguir o Wikileaks

Vale a pena a leitura!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Agnus Sei

Sentimento do dia...

"A paz na ponta dos arietes"

João Bosco na voz de Elis, Sempre Elis Regina...


Dos amigos do Passa Palavra...


Batalha de Curitiba: a direita começou a perder

Vale a pena ler essa matéria:

2015-04-30_parana3_tw
Análise dos fluxos nas redes sociais revela: após muitos meses, partidários do conservadorismo e repressão ficaram isolados, no debate público
Uma investigação da Interagentes
A análise topográfica da rede de compartilhamentos de conteúdos relacionados à manifestação dos professores do Paraná, recolhida entre as 5h de 29 de abril e 5h do dia 30 de abril, mostra uma rede bastante densa e distribuída. O grafo apresenta um núcleo densamente povoado e relativamente coeso. Neste núcleo três grandes subgrupos se destacam.
A principal delas, aqui identificada como sub-rede 1, destacada em tom de rosa no centro do grafo, reuniu 19.771 perfis. Trata-se de uma rede distribuída que tendeu ao apoio aos professores paranaenses. Esta sub-rede, sozinha, foi responsável por 42,73% das citações coletadas.
A segunda maior comunidade do período, a sub-rede 2, destacada em tom de verde, reuniu 9.915 perfis. Responsável por 21,42% das citações coletadas, esta rede é mais identificada com setores da política institucional, partidária, e reuniu muitos políticos, particularmente de legendas como PT e PSOL, militantes petistas, intelectuais e alguns setores da imprensa progressista. A subrede apresentou uma capacidade importante de estabelecer pontes com o principal núcleo do debate, a sub-rede 1.
Terceira em relevância, a sub-rede 3 é significativamente menor, representando 5,4% das citações coletadas. Esta rede, destacada em tom de roxo, na borda direita, reuniu 2,498 perfis de apoiadores do governador Beto Richa e da ação da polícia militar, além de perfis de veículos da imprensa tradicional como Valor Econômico, Exame e revista Veja, com um de seus principais colunistas, Felipe Moura Brasil. Com baixa capacidade de estabelecer pontes com a demais comunidades, esta sub-rede foi jogada para a periferia do debate, dada a baixa aderência do discurso que compartilhou, tornando-se uma rede bastante endogâmica.
O isolamento da subrede de apoio a Richa e a ação violenta da polícia militar se explica, também, pelo teor das mensagens publicadas ao longo do período. O resultado da análise amostral do universo de 191.779 mensagens coletadas mostra que 90,4% das citações são favoráveis à manifestação dos professores, contra 4,8% de citações em oposição ao movimento dos professores. A principal tag do período, #brasilcomosprofessoresdoparana, registrou 27.573 ocorrências.
TEXTO-MEIO

Dados Gerais

Período: das 5h de 29 de abril às 5h do dia 30 de abril.
Total de mensagens: 191.779
Foram considerados Positivos os posts favoráveis aos professores. Os temas das poucas publicações Negativas foram: #foradilma, beto richa, confronto, esquerdistas, greve professores, lula, neoliberalismo, petralhas, pt.

Redes de compartilhamento

Autoridades – Geral

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Quem são?

Comunidade de apoiadores do movimento dos professores no Paraná. Representa 42,73% dos compartilhamentos. Reuniu perfis de imprensa (@g1, @gazetadopovo, @brasilpost, @JornalOGlobo, @folha, @broadpolitico), jornalistas (@lucasrohan, linobocchini), ativistas internacionais (@syndicalisms, @NewsRevo), perfis de humor (diImabr, aeciodepapelao) e perfis anônimos cujas publicações viralizaram.

O que dizem?

Nesta comunidade, os temas que provocaram maior engajamento são imagens da repressão policial aos professores do Paraná, denúncias de abusos comentidos pela polícia militar e imagens de professores feridos ou sendo violentamente agredidos pelas forças militares.
Um discurso recorrente compara a postura da Polícia Militar nas manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (em 15 de março e 12 abril) com a conduta adotada em relação aos professores. Críticas à violência desproporcional empregada também são recorrentes. As publicações nesta linha reforçam, particulamente, a diferença entre “confronto” e “massacre”, criticando a maneira partidiária como a grande imprensa noticiou os fatos. Destaca-se, ainda, a ampla repercussão da prisão de 17 policiais militares que teriam se recusarado a participar do cerco aos professores em Curitiba. As supostas prisões foram duramente críticadas pelos perfis que compõem esta comunidade. Muitas da publicações, embora extremamente críticas à ação da Polícia MIlitar e do governo paranaense utilizam o humor como abordagem. As principais autoridades dessa comunidade destacam-se pela aderência do discurso de suas publicações, que lograram expressivo volume de RTs e curtidas.

Destaques

  • “@g1: Tropa de choque volta a avançar contra professores estaduais em greve no Paraná. SIGA: http://glo.bo/1bLmsaO  #G1 ” (269 RTs e 87 curtidas)
  • “@lucasrohan: protesto pelo impeachment: plantão de 5 em 5 minutos para mostrar madame tirando foto com pm. professores sendo massacrados pela pm: nada” (1,525 RTs e 612 curtidas)
  • “@hicpedia: Sobre as manifestações no Paraná! #BrasilComOsProfessoresDoParaná ” [a imagem mostras fotografias de uma das manifestações pelo impeachmente de Dilma, contraposta à manifestação dos professores do Paraná, com a legenda “Em protesto que pede a intervenção militar você é tratado com educação. Em protesto que pede educação, você é tratado com intervenção militar] (1.784 RTs e 701 favoritações).
  • “@gazetadopovo: #CentroCívico  em imagens http://bitly.com/1QLbjXh” [as imagens mostram a ação violenta da polícia no Paraná] (243 RTs e 84 curtidas)
  • “@Estadao: Paraná: 17 policiais foram presos por se recusarem a fazer cerco aos professores http://oesta.do/1zqYpIz” (601 RTs e 300 favoritações)

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20TaniaBraga0.0026342836

Quem são?

Esta é uma comunidade mais indentificada com setores da política institucional e partidária. Responsável por 21,42¢ das citações coletadas, a comunidade reuniu perfis da imprensa (@cartacapital, @cartamaior, @DCM_online), blogueiras (@cynaramenezes), políticos (@Greenhalgh_, @jeanwyllys_real, @depChicoAlencar, @requiaopmdb, @rafaelgreca15), militantes petistas, intelectuais (@LeonardoBoff, @pablovillaca) e o humorista @jose_simao.

O que dizem?

Entre as mensagens que obtiveram maior adesão nesta comunidade destacam-se criticas diretas ao governador Beto Richa. As publicações também dununciam o caráter antidemocrático da postura do governador. Um destaque é a presença de figuras políticas de grande visibilidade se posicionando contra o governador e a administração tucana no Paraná. Outro tema recorrente é a divulgação em tempo real da escalada do número de feridos, utilizando como fonte informações divulgadas pelo SAMU. Há também muitas mensagens de soliedaridade à luta dos professores, que muitas vezes dividem espaço com imagens de professores agredidos pelos policiais militares. Com frequência, publicações ironizam manifestações favoráveis à ditadura militar, convidando seus defensores a se mudarem para o estado e trabalharem como professores: “@pablovillaca: Voce é um dos que sonham com a volta da ditadura? Seus problemas acabaram: vire professor e mude para o Paraná.” (803 RTs e 426 curtidas). Outro exemplo é a linha do humorista José SImão: “@jose_simao: Paraná Urgente! Professores tiram selfie com a PM! Selfie-se quem puder!” (590 Rts e 355 curtidas).

Destaques

  • “@cartacapital: PARANÁ: Segundo o Samu, já são 150 os feridos na agressão da PM aos professores | http://bit.ly/1GGq3B9″ (482 Rts e 161 curtidas)
  • “@cynaramenezes: não ouvi nenhuma panela batendo enquanto o governador beto richa, no jornal nacional, culpava os professores por serem agredidos. e vocês?” (565 Rts e 342 curtidas)
  • “@Greenhalgh_: Entenda o drama dos professores do Paraná, esmagados com violência por um governo corrupto e incompetente. ” (183 RTs e 74 curtidas)
  • “@jeanwyllys_real: 11. O Brasil precisa dar um basta a Beto Richa. http://on.fb.me/1P8d8Kb  #BrasilComOsProfessoresDoParana ” (466 Rts e 372 curtidas)
  • “@depChicoAlencar: Infelizmente, o Paraná vive hoje mais um dia triste para a democracia brasileira #BrasilComOsProfessoresDoParaná” (439 RTs e 209 curtidas)

Sub-rede 3 => 5,40 %




RankNodoAutoridade
1BlogDoPim0.002003783
2Ary_AntiPT0.0018396801
3GABRlELPINHEIRO0.0015805702
4BlogOlhoNaMira0.0010105285
5VEJA0.0008982475
6StalinBurrinho0.0008291516
7plantao1900.0007255076
8rodrigodasilva0.0006132267
9radiobandnewsfm0.0006045897
10exame_com0.0005873157
11Rede450.0005873157
12mvsmotta0.0005182197
13TimeBetoRicha0.00050958275
14Biacerbi0.0005009457
15donincrenca0.00047503476
16TV_REVOLTA0.00046639776
17GuyFranco0.00045776076
18jose_neumanne0.0004318498
19valor_economico0.0004318498
20mildignos0.0004232128

Quem são?

Sub-rede de apoiadores do governador Beto Richa e da polícia militar. Responsável por 5,4% das citações coletadas, esta rede reuniu perfis de imprensa (@VEJA, @exame_com, valor_economico, radiobandnewsfm), blogs (BlogDoPim, BlogOlhoNaMira, perfis institucionais ligados ao PSDB (@TimeBetoRicha, @Rede45) e conhecidos perfis de redes sociais, como a @TV_REVOLTA.

O que dizem?

As mensagens de maior repercussão nesta comunidade recolocam as manifestações dos professores sob a ótica das disputas políticas mais institucionalizadas. Grande parte da publicações de maior relevância atribuiu ao PT as manifestações dos professores do Paraná, responsabilizando os manifestantes pela ação violenta da PM. A presença da ex-ministra Gleisi Hoffmann nas manifestações é destacada negativamente em diversas publicações, associada à um discurso que busca deslegitimar as manifestações. A principal autoridade desta comunidade é o perfil do colunista da Veja, Felipe MOura Brasil, que em sua publicação mais relevante parabeniza as manifestações pacíficas pró-impeachment (em 15 de março e 12 de abril). Seu discurso buscou legitimar o uso da brutal força policial contra os professores paranaenses.
Outra abordagem recorrente denuncia a presença de “Black Blocs” e tendeu a associar a presença de pessoas com rostos cobertos à provocadores, vândalos ou mal intencionados, chegando a sugerir que deveriam ser punidos apenas por ocultar seus rostos. Perfis ligados à legenda tucana e a Beto Richa buscaram defender o governador: “@TimeBetoRicha: Com uma greve sem sentido, governador Beto Richa busca manutenção da ordem e da paz. http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=83909&tit=Richa-diz-que-greve-nao-se-justifica-e-pede-que-sejam-mantidas-ordem-e-paz … ” (48 RTs e 11 curtidas)

Fonte: http://outraspalavras.net/brasil/batalha-de-curitiba-a-direita-comecou-a-perder/

Fora a vergonha na Câmara, o que mais irritou essa semana?

Ouvir um sujeito rico dizer: que bom que fecharam as farmácias populares mesmo, pois isso aí era uma lavagem de dinheiro. Eu: mas se é que...