segunda-feira, 18 de julho de 2016

da Chauí...



“Você conversa com alguém da direita e vê que ele é capaz de dizer quatro frases contraditórias e sem perceber as contradições. Você conversa com alguém da extrema esquerda e vê o totalitarismo que também opera com a ausência do pensamento. Então nós estamos ensanduichados entre duas maneiras de recusar o pensamento” (MARILENA CHAUÍ).

Pela reinvenção da política... pela reinvenção da Esquerda.

Texto muito sensato e inteligente em tempos de alienação de COXINHAS de mandioca e batata... e de totalitarismos de PETRALHAS...

A humanidade como um fio da teia da vida - POR INÊS CASTILHO

20/06/2016

Primeiramente, fora temer em nós. Pois a barbárie exterior se alimenta da nossa barbárie interior.

Acesse aqui: http://outraspalavras.net/brasil/a-humanidade-como-um-fio-da-teia-da-vida/




do Mídia Ninja

Antes de mais nada:


do Mídia Ninja!

Adorei!


Marilyn Frye


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Nós acusamos por Vladimir Safatle

Nós acusamos

por Vladimir Safatle [*]
Cartaz de Pavel Eguez, muralista equatoriano.Diante da gravidade da situação nacional e da miséria das alternativas que se apresentam:

Nós acusamos o governo interino que agora se inicia de já nascer morto. Nunca na história da República brasileira um governo começou com tanta ilegitimidade e contestação popular. Se, diante de Collor, o procedimento de impeachment foi um momento de reunificação nacional contra um presidente rejeitado por todos, diante do governo Dilma o impeachment foi o momento em que tivemos de construir um muro para separar a Esplanada dos Ministérios em dois.

Esse muro não cairá, ele se aprofundará cada vez mais. Aqueles que apoiaram Dilma e aqueles que, mesmo não a apoiando compreenderam muito bem o oportunismo de uma classe política à procura de instrumentalizar a revolta popular contra a corrupção para sua própria sobrevivência, não voltarão para casa. Esse será o governo da crise permanente.

Nós acusamos os representantes desse governo interino de serem personagens de outro tempo, zumbis de um passado que teima em não morrer. Eles não são a solução para a crise política, mas a própria crise política no poder. Suas práticas políticas oligárquicas e palacianas só poderiam redundar em um golpe parlamentar denunciado no mundo inteiro.

Por isso, eles temem toda possibilidade de eleições gerais. Eles governarão com a violência policial em uma mão e com a cartilha fracassada das políticas de "austeridade" na outra. Políticas que nunca seriam referendadas em uma eleição. Com tais personagens no poder, não há mais razão alguma para chamar o que temos em nosso país de "democracia".

Nós acusamos o governo Dilma de ter colocado o Brasil na maior crise política de sua história. A sequência de escândalos de corrupção não foi uma invenção da imprensa, mas uma prática normal de governo.

De nada adianta dizer que essa prática sempre foi normal, pois a própria existência da esquerda brasileira esteve vinculada à possibilidade de expulsar os interesses privados da esfera do bem comum, moralizando as instituições públicas.

Que os setores da esquerda brasileira no governo façam sua autocrítica implacável. Por outro lado, a procura pela criação de uma conciliação impossível apenas levou o governo a se descaracterizar por completo, a abraçar o que ele agora denuncia, distanciando-se de seus próprios eleitores. O caráter errático deste governo foi a mão que cavou sua própria sepultura. Que esta errância sirva de lição à esquerda como um todo.

Nós acusamos aqueles que nunca quiseram encarar o dever de acertar contas com o passado ditatorial brasileiro e afastar da vida pública os que apoiaram a ditadura como responsáveis diretos pela instauração desta crise. A crise atual é a prova maior do fracasso da Nova República.

Que um candidato fascista (e aqui o termo é completamente adequado) como Jair Bolsonaro tenha hoje 20% das intenções de voto entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos mostra quão ilusória foi nossa "conciliação nacional" pós-ditadura. O fato de nossas cadeias não abrigarem nenhum torturador deveria servir de claro sinal de alerta.

Tal fato serviu apenas para preservar os setores da população que agora abraçam um fascista caricato e saem às ruas com palavras de ordem dignas da Guerra Fria . Por isso, a cada dia que passa, percebe-se como este setor da população se julga autorizado a cometer novas violências de toda ordem. Isso está apenas começando.

Nós acusamos setores hegemônicos da imprensa de regredirem a um estágio de parcialidade há muito não visto no país. Diante de uma situação de divisão nacional, não cabe à imprensa incitar manifestações de um lado e esconder as manifestações de outro, transformar-se em tribunal midiático e parcial, julgando, destruindo moralmente alguns acusados e preservando outros, deixando mesmo de se interessar por vários escândalos quando esses não atingem diretamente o governo.

Essa postura apenas servirá para explodir ainda mais os antagonismos e para reduzir a imprensa à condição de partido político.

Nesse momento em que alguns inclinam-se a uma posição melancólica diante dos descaminhos do país, há de se lembrar que podemos sempre falar em nome da primeira pessoa do plural, e esta será nossa maior força.

Faz parte da lógica do poder produzir melancolia, nos levar a acreditar em nossa fraqueza e isolamento. Mas há muitos que foram, são e serão como nós. Quem chorou diante dos momentos de miséria política que esse país viveu nos últimos tempos, que se lembre de que o Brasil sempre surpreendeu e surpreenderá. Esse não é o país de Temer, Bolsonaro, Cunha, Renan, Malafaia, Alckmin.

Esse é o país de Zumbi, Prestes, Pagu, Lamarca, Francisco Julião, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e, principalmente, nosso. Há um corpo político novo que emergirá quando a oligarquia e sua claque menos esperar.
[*] Professor livre-docente do Departamento de filosofia da Universidade de São Paulo.

O original encontra-se na Folha de S. Paulo , 13/Maio/2016. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Parada LGBT em Maringá


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ariano Vilar Suassuna...

Vídeo ótimo de Ariano Suassuna falando da Banda Calypso.


Vamos pensar nos adjetivos que gastamos...

Ariano Suassuna (1927-2014) foi ensaísta, romancista, dramaturgo e poeta brasileiro. Autor de obras como o Auto da Compadecida.

Sátira ao capitalismo e ao socialismo... NINOTCHKA (1940)

Recentemente assisti esse filme no Projeto do Paulo Campagnolo. Indico por três razões: 1. Uma sátira interessante ao capitalismo norte-americano e ao socialismo soviético; 2. Atuação de Greta Garbo; 3. Atuação de Melvyn Douglas.

Filme: Ninotchka 
Lançamento: 1939
Direção: Ernst Lubitsch

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Música?



Arte e técnica...

Pensando nas últimas discussões em sala de aula...
E considerando que se aproxima um dos maiores eventos de agropecuária do Brasil, a Expoingá, que além da apresentação das 'inovações' do agronegócio, também conta com diversos show's musicais:  - resolvi postar algumas músicas aqui neste blog...
Sem mais delongas... ouçam... apreciem... ou desapreciem... gostem... ou odeiem... rsrs...
É uma pena que a maioria da população tem acesso a apenas um pequeno segmento musical que faz "sucesso"... e não conhece outras opções... e se orgulha de dizer que "não gosta" daquilo que nem conhece...
Vamos lá:

* Antes de dizer se gosta ou não... ouça... preste atenção na letra, na harmonia, na melodia... e não se esqueça do contexto no qual as músicas foram produzidas...

1. Meia Quadra - Severino Pinto e Lourival Batista
Atenção para as métricas do cordel...


2. Alcides Gerardi - Cabecinha no Ombro
Uma seresta...



3. Lundu Amazonense - Arnaldo Rabello
Norte do Brasil...



4. La barca - Luis Miguel
Um bolero...


5.  Orquestra Juvenil da Bahia - Tico Tico no Fubá
Grande Zequinha de Abreu!!!


6. Chopin - Nortuno
Som e semitons que encantam...


7. Carlos Gardel - Por una Cabeza
Tango..


8. Tonico e Tinoco - Chico Mineiro
Emocionada ao ver e ouvir...
Lembro de meu avó cantando e tocando quando eu era criança...




9. Jackson do Pandeiro - Sebastiana
A E I O U...


10. Dominguinhos - Eu só quero um xodó
do Luiz... que Luiz? Gonzaga!


11. O bêbado e o equilibrista - Elis Regina
Eu, Elisófila, sou muito suspeita pra falar....
Letra de João Bosco e Aldir Blanc



12. Roda Viva - Chico Buarque
Clássico...



13. Caetano Veloso - Alegria, Alegria
Eu vou...



14. Gilberto Gil - Aquele Abraço
Alô, Alô MPB...



15. Nina Simone - I put a spell on you
Jazz...



16. Edith Piaf - La Vie en Rose
Très bon!


17. Janis Joplin - To love somebody
Crazy Janis!


18. Jimi Hendrix - Cocaine
Blues Rock!!!



19. Simone - Paixão
MPB...



20. Pink Floyd-Wish You Were Here
Rock...



21. Tulipa Ruiz - Quando eu achar
MPB jovem...



22. Paralamas do Sucesso - Lantera dos Afogados


23. Maria Gadu - Ne me quitte Pas
MPB jovem...



24. Maria Bethânia - Não mexe comigo
Uma entidade... sem palavras!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



25. Zeca Baleiro e Genival Lacerda - Juraci
Tecnoxaxado...
Pau na máquina!


26. Renato Teixeira e Sérgio Reis - Amizade Sincera
Felizmente eles estarão na Expoingá...
  


27. Chuva de Arroz - Luan Santana
Expoingá.................

  
28. Pedro Paulo e Alex - As Novinhas "tão" sensacional

Olha que letra sensacional!!!!! [SIC]

"Descendo, descendo, descendo, descendo
Descendo gostosa, prendendo legal
Subindo gostosa, prendendo legal
Rebola gostosa, prendendo legal
Isso aqui tá gostoso, tá sensacional"
  
Eles estarão na Expoingá.......



29. Brenno Reis & Marco Viola - Flor do Paraná

"Ah, eu to chique de mais
Tô dando o que falar
Já que a goiana não quer
Eu tô chegando Paraná"

OUTRO SUCESSO DA EXPOINGÁ!


  
30. Henrique e Diego - Senha do Celular

Letra interessante [SIC].....

"Se não deixa pegar o celular
É porque tá traindo
E tá mentindo
Alguma coisa tem

Se não deixa pegar o celular
É porque tá devendo
Me enganando
De papo com outro alguém"

Também na Expoingá!



31. Wesley Safadão - Vou dar Virote

Outro sucesso da Expoingá!

Letra rica em métricas, rimas, conteúdos, etc...

VOU DAR VIROTE

Eu amava alguém, me enganei
Me apaixonei pela pessoa errada
Pra mim você não vale nada,
Pra mim você não vale nada
Foi só ilusão, decepção, acreditava nas suas palavras
Pra mim você não vale nada,
Pra mim você não vale nada

Hoje eu vou beber até o dia clarear
Vem pra minha mesa que hoje é Open Bar
A noite não tem hora pra acabar

Eu vou dar virote, eu vou dar virote
Eu sou patrão, tô estourado e essa vida é pra quem pode
Eu vou dar virote, eu vou dar virote
E pode chamar o Samu,
Que hoje eu vou tomar glicose


  
***Chama o SAMU, por favor....

32. Ludmila - Hoje

Funk



 33. Emicida - Beira de Piscina



34. Marcelo D2 - É preciso lutar


35. Natiruts - Reggae Power


36. Saudosa Maloca - Demônios da Garoa
Clássico!



37. Ivete Sangalo - Tempo de Alegria
Axé


38. Ellie Goulding - Love me like you do
Indie...


 39. Beatles - Let It Be




Espero que tenha curtido ou não! ;)

Para conhecer um pouco mais da música popular brasileira:
INDICAÇÃO DE FILME: PALAVRA ENCANTADA (2008)


http://www.filmesbrasileiros.net/palavra-encantada/


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Bom final de semana...

Finalizo as postagens da semana com duas imagens feitas em viagem ao estado de Alagoas.

Trabalhadoras sobrevivendo ou subsistindo?

Enquanto isso o show de horrores em Brasília e na política partidária em sua plenitude... continua...

Fotografia: Ana Cristina Teodoro da Silva

Fotografia: Jeinni Puziol

Para além do histórico 29 de abril de 2015 em Curitiba...

"Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem" (Bertolt Brecht).

Um ano atrás eu escrevi um texto para este blog refletindo sobre o dia 29 de abril de 2015. A reflexão continua de mostrando atual... pois os problemas e as dificuldades de pensar e se articular coletivamente persistem... mas persistem também as lições da luta coletiva... e a urgente necessidade da união para que o futuro seja bem melhor que aquilo que vivemos hoje.

No Paraná e no Brasil o conceito de Democracia está na ordem do dia (nos dois lados que dividem a população brasileira - vou repetir: dois lados... risos... como se só houvessem dois e como se isso a "briga" entre ambos estivesse trazendo alguma melhoria pra nação e seu povo) mas ninguém dialoga, ninguém se ouve... e seguimos bradando por democracia... período de pobreza de pensamento, mas uma pobreza intelectual acompanhada de muita "argumentação" [SIC] munida de um profundo do arsenal teórico, metodológico e filosófico adquirido via Facebook, WhatsApp e Twitter [sic]!

Crise de representativa democrática numa teia política que assusta pela sua lama e falta de princípios onde sujeitos corruptos, investigados, condescendentes e desinformados, decidem o futuro de uma nação repleta de problemas estruturais e conjunturais que partido algum está preocupado em resolver... pois o que importa mesmo são os projetos de poder...

E diante de tudo isso... nós professores não podemos desistir. São das escolas e universidades que podem sair sujeitos sociais melhores que podem/devem fazer diferença... por menor que seja nossa atuação cotidiana, ela é essencial numa concepção ampliada de política que vê nas ações humanas-sociais uma forma de buscar uma realidade mais justa para as pessoas.

Para relembrar... Imagens de Curitiba em 29 de abril de 2015.
Créditos: Jeinni Puziol (Apple e Canon 2016).


*Não me lembro que fotografou essa.








*Não me lembro que fotografou essa.



terça-feira, 26 de abril de 2016

PRIMAVERA NOS DENTES... SECOS E MOLHADOS!



Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado
Entre os dentes segura a primavera...

domingo, 17 de abril de 2016

Arquivos de Aula (Letras, Educação Física, Geografia e Filosofia)

Alunxs,

Abaixo é possível acessar os textos de aula.

Boa leitura!

Professora Jeinni Puziol

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede" (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE).


Programa e Ementa - Letras

Programa e Ementa - Filosofia

Programa e Ementa - Educação Física

Programa e Ementa - Geografia

Cronograma - Educação Física (atualizado)

Cronograma - Letras (atualizado)

Cronograma - Filosofia (atualizado)

Cronograma - Geografia (atualizado)

Texto 1 - Marilena Chauí

Texto 2 - Sofia Lerche Vieira

Texto 3 - Dados IES Brasil e Paraná

Texto 4 - Verbetes

Texto 5 - Neoliberalismo - José Paulo Netto e Marcelo Braz

Texto 6 - Constituições - Sofia Lerche Vieira

Texto 7 - Márcia Tiburi

Texto 8 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional

do Passa...


Cartomante - Elis Regina

Acima dos muros por Eliane Brum

Compartilho texto de Elaine Brum. Leia e reflita.


Nem de um lado nem de outro: o que dizem aqueles que têm, como posição, uma recusa às narrativas de adesão

Em cima do muro. Isentão. Colaboracionista do golpe. Covarde. Omisso. Ingênuo. Burro.
Estes são alguns dos nomes dados a quem não está em nenhum dos lados do Brasil polarizado. Não se alinha – muito menos se enfileira – nem na narrativa #ImpeachmentJá nem na “#NãoVaiTerGolpe. Nem amarelo, nem vermelho. E, assim, é achincalhado pelos dois lados, como traidor de ambos.
Como disse Bruno Cava: “Me situo nesse lugar nada confortável de ser a esquerda que a direita gosta – e a direita que a esquerda gosta. Mas que, no fundo, ninguém gosta. Lugar de pensamento que ainda balbucia, mas que ainda pensa”. Ou, nas palavras de Bruno Torturra, que se apresenta como “desidentificado”: “Prefiro a vertigem da desidentificação do que o falso refúgio das bandeiras de sempre”.


Como afirmei em meu artigo anterior, não estar em nenhum dos lados é posição. E forte. Silenciá-la, pela desqualificação, é uma perda num momento em que, mais do que nunca, as vozes precisam ser ampliadas e não reduzidas. Muito menos caladas. “Os discursos partidários, pronunciados por muitos e sempre da mesma forma, tem sufocado, com sua abundância repetitiva, os discursos independentes”, diz Pablo Ortellado. Ou, na expressão de Moysés Pinto Neto: “É como um vórtice bipolar, sugando tudo para seu interior e reduzindo todas as posições às suas referências”.
O país está, aparentemente, dividido por muros que impedem qualquer contato que não seja aos gritos. Ou que se realiza pelo espancamento, na tentativa de deletar literalmente o outro do espaço público. Os muros dos condomínios fechados, as cercas eletrificadas ganharam as ruas. E ninguém mais se escuta, cada pessoa um muro em si mesma, um portão armado, um vidro blindado e com insufilm.
É preciso promover o desarmamento. É necessário tentar enxergar acima dos muros – e derrubá-los. Não a marretadas, mas pelo instrumento mais subversivo desse momento histórico: o diálogo. A conversa que só pode acontecer pelo reconhecimento do outro como alguém que pensa diferente, não como um inimigo a ser eliminado.
Em vez de aderir ao conforto de um dos lados, pode ser importante fazer o mais difícil: sustentar o não saber
É muito duro sustentar o lugar de não saber. Penso que é com essa dificuldade que também nos deparamos. Tenho dúvidas se não é por isso que uma parte das pessoas, à direita e à esquerda, prefere aderir ao conforto de uma das narrativas, para pelo menos se iludir que há uma resposta, que há alguém que sabe. Aderir como tentativa de estancar a angústia de sentir-se sem chão. Talvez seja o momento de suportar o não saber e acolher as incertezas. Mas em movimento, no movimento da busca.
No que se refere ao campo das esquerdas, também tenho dúvidas se não há, de novo, mais uma exortação ao “menos pior”, à eterna esperança da tal guinada à esquerda. Ou algo correspondente ao “voto útil” aplicado às manifestações. Mais uma conclamação, como se viu em eleições recentes e especialmente na última. Será que os dias seguintes não mostraram, de forma bastante eloquente, que isso já não deu certo? Que isso só alargou o abismo e que já passou da hora de encarar o buraco e enfrentar os conflitos, por mais duro que seja, para que pelo menos exista uma chance de criar possibilidades?
O diálogo é tão urgente que tem de ser provocado em todos os lugares. Percebi que, neste momento, nem na minha própria coluna de opinião posso falar sozinha. Convidei para este espaço, para nos ajudar a nos movermos, para além do que cada um acredita, algumas pessoas que têm ousado pensar e escrever, em geral em blogs e nas redes, sobre esse momento tão movediço, em que poucos se arriscam a dizer além do já dito. E a pensar fora das narrativas de adesão de um e outro lado. Estas, que já decoramos.
Trago para este espaço as vozes abafadas, as daqueles que não estão “em cima do muro”, mas “acima dos muros”, no plural. Moysés Pinto Neto é escritor, professor da Universidade Luterana do Brasil, graduado em direito e doutor em filosofia. Sua leitura do Brasil pode ser acompanhada no blog O Ingovernável. Bruno Torturra se dedica a experimentar novos caminhos para a participação política e para o jornalismo, a partir das possibilidades de hiperconexão. Fundou a Mídia Ninja, essencial na cobertura de Junho de 2013, e se distanciou dela a partir do final daquele ano. Hoje, toca o Estúdio Fluxo. Pablo Ortellado é filósofo, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo e coautor de Vinte centavos: a luta contra o aumento, entre outros. Ele testemunhou, como pesquisador, todas as manifestações contra e a favor do impeachment organizadas em São Paulo. Bruno Cava, autor de A multidão foi ao deserto, entre outros livros, e blogueiro do Quadrado dos Loucos, também é um atento investigador das ruas, pesquisador de lutas e movimentos urbanos há 11 anos, associado à Universidade Nômade.
Eles responderam, por e-mail, a três perguntas propostas por mim. Embora esses quatro interlocutores estejam próximos do campo das esquerdas, há diferenças consideráveis no seu modo de compreender esse momento. E há quem considere o conceito de esquerda, assim como o de direita, superados, insuficientes e redutores. De modos diferentes, os quatro são observadores atentos de Junho de 2013 – o ponto de inflexão que não parece ter sido compreendido por protagonistas de ambos os lados.
A ideia, aqui, não é construir um terceiro discurso – ou um terceiro lado. Isso também seria empobrecedor. Não há homogeneidade. E é mais interessante que ela não exista, que os discursos possam ser múltiplos. Talvez, por isso, também seja difícil – ou mesmo impossível – nomear esse fora dentro. Ou esse além dos muros.
A transgressão necessária, nesse momento tão delicado, é atravessar os muros com palavras. Mas essas palavras têm várias direções.


http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/28/opinion/1459169340_306339.html

Circo...

Hoje acordei pensando... O que seria do circo sem os palhaços? Tem gente que acha que inventa uma roda todo dia... Acaba não bRaZiU!