quarta-feira, 26 de julho de 2017

Escola "Sem" Partido... Sem Pensamento... Sem Reflexão... Sem Crítica... mas não é sem nada...



Na última terça-feira (25 de Julho) proferi a palestra "Escola 'sem' Partido: uma visão de mundo e de educação" no Curso de Formação de Professores do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos CEEBJA – Maringá, sob o convite da Professora Doutora Silvia Helena Zequim Maia.


Com um público de 100 professores, o objetivo era exercer uma crítica aos projetos de lei sobre a Escola Sem Partido (ESP), mas também provocar os ouvintes, tarefa de professorxs que gostam de ver os alunos pensarem e não meramente reproduzirem.



Crédito: CEEBJA

Apresentei os dois projetos de lei em tramitação na Câmara e no Senado e promovemos um debate crítico sobre as propostas. Destaquei o caráter inconstitucional dos projetos, a falácia da neutralidade ideológica, a falta de fundamentação teórica e representatividade, o caráter censor, conservador e reacionário e a presença de uma visão de mundo e educação que não admite nada além de uma moral conservadora tida como verdadeira.

Um projeto que tem como premissa a pluralidade de conhecimento, mas que afirma que Karl Marx e Paulo Freire são os pilares da doutrinação da educação brasileira, não parece ser nada plural.
Um projeto que é contrário a discussão de gênero na escola, não parece ser nada plural.
Um projeto encabeçado pelo Partido Social Cristão (PSC), não parece ser sem partido.
Um projeto que estabeleceu, no art. 2, que é "direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções", me faz questionar o papel da educação, da escola e da universidade - se não podemos questionar o moral qual o nosso papel? Reproduzir a sociedade tal como ela é? Se a ética é a reflexão da moral, então não podemos ser éticos?
Um projeto elaborado sem diálogo com a classe docente, nem de forma consultiva, quanto mais deliberativa.



Crédito: CEEBJA

A palestra foi muito produtiva, pois os professorxs se sentiram provocados com a discussão, objetivo fundamental do debate - gerar incômodos que nos façam pensar e não apenas reafirmar aquilo que acreditamos. Se sentir incomodado faz parte do projeto de aprendizagem - intelectual e pessoal. Se não houver movimentação do conhecimento, apenas fazemos o que quer a Escola Sem Partido: reafirmar a moral ideológica hegemonicamente estabelecida. Se não nos propusermos a pensar, a ouvir e a discutir, e apenas a reafirmar verdades eternas e imutáveis, fazemos justamente o que quer a Escola Sem Partido - cristalizar o conhecimento, sem movimento, sem pensamento, sem reflexão, sem crítica, mas com partido, o partido do conservadorismo, o partido contrário ao debate científico, contrário a pluralidade, contrário a discussão; é apenas instrução, reprodução, gritos ecoados para esconder a idiotização e mediocrização de quem deixou de pensar e leva a vida e a profissão no piloto-automático. O incômodo que a gente sente quando outro professxr fala algo que não concordamos totalmente é o incômodo que os nossos alunxs sentem quando questionamos sua moral, algo fundamental e necessário para avançarmos continuamente - professorxs e alunxs.

Obrigada, Silvia, pela oportunidade do debate.

Jeinni Puziol (GEPEFI/UEM)

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